Tensões entre a França e a Argélia na origem das restrições de vistos para os norte-africanos

Emmanuel Macron anunciou na terça-feira 28 de Setembro que a França iria reduzir drasticamente a emissão de vistos para cidadãos argelinos, marroquinos e tunisinos. O número de vistos será dividido por dois para a Argélia e Marrocos e por um terço para a Tunísia.

Oficialmente, isto deve-se à “recusa” da Argélia, Marrocos e Tunísia em emitir os livres-trânsitos necessários para o regresso das pessoas afastadas de França. Por exemplo, nos primeiros seis meses de 2021, “das 7.731 deportações solicitadas à Argélia, apenas 22 foram efectuadas”, indicou a jornalista Anne Bourse no conjunto de 12/13 de terça-feira 28 de Setembro.

Nos corredores do Palácio do Eliseu, a pergunta fez com que os colaboradores do Presidente Emmanuel Macron, que, como candidato, tinha visitado Argel para qualificar a colonização como um crime de humanidade, saltassem para cima e para baixo.

No entanto, para além do argumento oficial, esta anunciada redução de vistos parece dizer respeito apenas a um dos três países. “Não é Marrocos que nos está a incomodar, quanto mais a Tunísia”, diz esta velha mão na política externa francesa. “O problema é a Argélia e os seus milhares de imigrantes ilegais que, uma vez atravessado o Estreito de Gibraltar, se dirigem para França, onde constituem a maior comunidade do Norte de África, com mais de 3 milhões de pessoas registadas.

Na decisão de restringir os vistos aos três países, é sobretudo uma questão de Paris evitar uma crise frontal com Argel num contexto tenso com Rabat.

Outras fontes, menos interessadas nas relações internacionais, acreditam que através desta decisão unilateral e pouco amistosa, para dizer o mínimo, existe sobretudo o desejo do Presidente Emmanuel Macron de alargar o seu eleitorado à direita, nas pegadas do leproso marinho e talvez do polémico Éric Zemmour. Além disso, “o governo francês fez este anúncio no mesmo dia em que Marine Le Pen anunciou o seu referendo sobre a imigração”, nota a jornalista Anne Bourse.

É bem conhecido que este eleitorado de direita permanece sensível a questões de memória, particularmente a guerra argelina.

Recebendo veteranos a 30 de Setembro, Emmanuel Macron acusou a classe dirigente da Argélia de viver da “renda da memória” visada pelas restrições em matéria de vistos. Os estudantes não são afectados por esta decisão. “Vamos garantir que os estudantes e o mundo económico o possam manter. Vamos irritar bastante as pessoas no mundo executivo, que costumavam requerer vistos facilmente”, disse Macron. Estas palavras não foram bem recebidas em Argel, que recordou o seu embaixador em Paris para consulta.

Como lembrete, o número de vistos emitidos para os três países tem vindo a diminuir desde 2017, com 874.308 vistos concedidos contra 766.575 em 2019.

Autor: CAP-GB

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