Senegal: Necessidade de fertilizantes junta líderes africanos em Dakar

Chefes de Estados africanos reúnem-se, em Junho deste ano, no Senegal, para analisar questões sobre solos e acesso aos fertilizantes, avançou à ANGOP a comissária para a Economia Rural e Agricultura da União Africana (UA), Josefa Sacko.

A comissária disse que a Cimeira de Chefes de Estados deverá analisar o modo como os solos são utilizados na agricultura em África, assim como o fornecimento e a venda de fertilizantes aos camponeses a preços acessíveis.

Sobre os solos, Josefa Sacko sublinhou que estão a ser muito usados, mas sem tratamento. “Estamos a usar muito os solos, mas não estamos a tratar da sua saúde”, declarou a entrevistada, que completa, em 2025, o seu segundo mandato de quatro anos à frente da pasta de comissária para a Economia Rural e Agricultura da UA.

Durante a entrevista, na qual falou também sobre o alívio da fome em África até final do primeiro semestre deste ano, informou que o continente adquire grande parte dos seus fertilizantes da Rússia, país em guerra com a Ucrânia desde Fevereiro de 2022.

Precisou que África usa, nesta altura, uma média de 18 quilogramas de fertilizantes por hectare, mas, em 2006, em Abuja (Nigéria), numa cimeira extraordinária da UA, designada ‘Abuja 1’, os Chefes de Estados africanos decidiram-se a chegar até 50 por hectare, “infelizmente sem sucesso”.

“Abuja 1 tem a Declaração de Abuja, que previa até 2030 podermos aumentar a utilização de fertilizantes a 50 quilogramas por hectare. Até hoje fizemos avaliação e concluímos que África só utiliza 18 /hectare. Isso não aumenta a produtividade nem garante a segurança alimentar. São esses os factores para os quais temos de olhar e acelerar, se quisermos ter a soberania alimentar”, rematou.

Comparando, referiu que há países como a China, que usam 150 toneladas por cada hectare, “mas nós, para começar, decidimos que fosse, no mínimo, 50 quilogramas, isso em 2006, porém hoje já não faz sentido”.

A propósito da mitigação dos efeitos da guerra Rússia/Ucrânia, que provocou a redução de exportação de cereais para o continente africano, afirmou que, em resposta, a UA recebeu do BAD, em Maio de 2022, 1,5 mil milhões de dólares, para financiar a produção de cereais em África e que os resultados serão visíveis até final do primeiro semestre de 2023.

Esta iniciativa, que culminou com o financiamento do BAD, foi aprovada pelo presidente da UA, Macky Sall, e é um plano de emergência para a produção de cereais que está em vigor. Os países africanos já começaram a beneficiar.

Para além da ajuda do BAD, a diplomata disse que a UA beneficiou de um apoio do Banco Mundial (BM), avaliado em USD 3,4 mil milhões, visando o combate às alterações climáticas, sobretudo a seca, e a garantia da resiliência alimentar – um montante destinado às sub-regiões da África do Oriental e África Austral, cujos projectos vão ser monitorados pela organização.

África depende em 30% do trigo produzido pela Rússia e pela Ucrânia. O conflito entre os dois países afectou o fornecimento de trigo, óleo de girassol e de milho, principalmente no Egipto, Argélia, Nigéria, África do Sul, Sudão, Tanzânia e Quénia.

Face aos vários choques que o continente tem sofrido, entre os quais os provocados pela Covid-19 e pela guerra Rússia/Ucrânia, cujos impactos são visíveis, a titular da pasta da Economia Rural e Agricultura na Comissão da UA defende “soluções africanas para problemas africanos” – um slogan da UA.

Josefa Correia Sacko é engenheira agrónoma, economista e embaixadora na UA. Já foi secretária-geral da Organização Interafricana do Café, durante 13 anos. Em 2017, é eleita comissária para a Agricultura e Economia Rural pela mesma organização internacional.

A União Africana  (UA) é uma organização internacional composta por 55 países. Ela promove a integração entre os países do continente africano nos mais diferentes aspectos. Foi anunciada na Declaração de Sirte, em Sirte, Líbia, a 9 de Setembro de 1999.

O Bloco foi fundado a 26 de Maio de 2001, em Addis Abeba, Etiópia, e lançado a 9 de Julho de 2002, em Durban,  África do Sul. É sucessora da Organização de Unidade Africana (OUA), criada em 1963.

Autor: CAP-GB

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