RSF Ranking 2021: Já enfraquecido, o jornalismo em África mais vulnerável do que nunca com a crise sanitária

GUINÉ-BISSAU OCUPA 95.º LUGAR DO ÍNDICE DE LIBERDADE DE IMPRENSA | REPÓRTERES SEM FRONTEIRAS

No Índice da Liberdade de Imprensa, hoje divulgado pelos Reporters sans frontières / Reporters Without Borders / RSF, a Guiné-Bissau desceu na classificação, ocupando em 2020 o 95.º lugar em 180 países analisados. O “impasse político” polarizou os media, enfraquecendo os jornalistas e tornando-os mais vulneráveis a pressões e influências políticas.

Repórteres atacados e presos, meios de comunicação enfraquecidos pela desinformação, leis liberticidas, queda nos rendimentos dos jornalistas… A pandemia do coronavírus espelhou as imensas dificuldades e desafios enfrentados pelo jornalismo na África subsariana, onde 23 dos 48 países (mais dois do que em 2020) aparecem agora em vermelho ou preto no mapa do Índice Mundial da Liberdade de Imprensa, ou seja, em áreas onde a situação da liberdade de imprensa é considerada difícil ou mesmo grave.

O papel dos jornalistas africanos e a sua contribuição para o desenvolvimento de democracias baseadas no debate público factual e pluralista está ainda longe de ser óbvio nos seus respectivos países. A crise do coronavírus foi um lembrete sombrio disto. Em vez de permitir que os jornalistas cumprissem a sua missão de fornecer informação, mais essencial do que nunca durante este período, as autoridades aumentaram o número de actos destinados a controlar a comunicação sobre este assunto e permitiram muitas vezes que a hostilidade e a desconfiança florescessem em relação àqueles que tentavam produzir informação de forma independente.

O jornalismo, uma vítima colateral do coronavírus

Entre 15 de Março e 15 de Maio de 2020, a RSF registou três vezes mais detenções e agressões a jornalistas na África subsariana do que no mesmo período do ano anterior. Muitos países, incluindo algumas das democracias mais avançadas do continente, têm usado a força e a lei para impedir os jornalistas de trabalhar. Um jornalista na RDC partiu a perna (149º, +1), um dos seus colegas na África do Sul foi baleado com balas de borracha (32º, -1) e o director de uma estação de web TV ruandesa (156º, -1) foi condenado a 11 meses de prisão, mas foi finalmente libertado em Março. Este recrudescimento de abusos é um lembrete de que os jornalistas africanos ainda são demasiadas vezes vistos como inimigos para serem controlados ou reprimidos em vez de aliados na abordagem dos desafios e crises contemporâneas. Este aumento significativo dos abusos reflecte-se na deterioração de 13% no indicador de abusos do Índice em comparação com o ano passado e contribui para o facto de que África continuará a ser o continente mais violento para os jornalistas em 2021, de acordo com a metodologia utilizada pela RSF.

O lugar e o reconhecimento dado ao jornalismo de investigação é também ainda muito limitado. A revelação de informações comprometedoras sobre a gestão da epidemia levou à prisão, como foi o caso no Zimbabué (130º, -4) do jornalista de investigação Hopewell Chin’ono, que foi preso depois de ter descoberto um escândalo envolvendo a apropriação indevida de dinheiro público na aquisição de equipamento para combater a epidemia. Nas Comores (84, -9), o jornalista Andjouza Abouheir foi ameaçado de ser processado depois de demonstrar que a falta de casos no arquipélago estava ligada a amostras que ainda não tinham sido analisadas.

Em termos mais gerais, a pandemia contribuiu para um enfraquecimento ainda maior da independência dos jornalistas e da relação da sociedade com a verdade factual. Na Tanzânia (124º), a cobertura das consequências da crise sanitária foi praticamente impossibilitada pela negação da realidade por parte das autoridades (ver caixa). O país recusou-se a encomendar vacinas, tal como o Burundi (147º, +13º), cujo presidente Pierre Nkunrinziza morreu algumas semanas após a sua esposa ter contraído o Covid-19. Vários países como a África do Sul, Botswana (38º, +1) e Eswatini (141º) também criminalizaram a divulgação de “informações falsas” sobre a doença, punindo os autores de publicações com penas de prisão.

Autor: CAP-GB

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