Retro-Politica: o que aconteceu nos ultimos doze (12) meses no país e além

Na Guiné-Bissau, o final do ano 2019 e início de 2020 foi marcado com a realização da segunda volta das eleições presidências que opunha os dois candidatos mais votados na primeira volta do escrutínio, neste caso Domingos Simões Pereira apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde PAIGC e Umaro Sissoco embalo suportado pelo Movimento para Alternância Democrática (MADEM-G15).

No dia 29 de Dezembro cerca se 700 mil cidadãos guineenses foram as urnas para eleger um novo presidente da república para substituir o então chefe de Estado José Mário Vaz. Já no final do mesmo, o candidato suportado pelo (MADEM-G15), viria a manifestar a sua vitória alegando ter na sua posse dados que justifica a sua vitória.

Já no mês de Janeiro de 2020, a Comissão Nacional de Eleição CNE, anuncia os resultados dando vantagem ao candidato Umaro Sissoco Embaló com mais de 53 por cento dos votos, contra 45 por cento de Domingos Simões Pereira, que por sua vez, emitiu um processo de impugnação dos resultados alegando que a CNE não cumpriu com a norma estabelecida (apuramento Nacional).

A 27 de Fevereiro de 2020, Umaro Sissoco Embaló foi investido sem esperar o pronunciamento final do Supremo Tribunal de Justiça, que entretanto oito meses depois viria a pronunciar, dando por ” improcedente ” o recurso apresentado pelo candidato Domingos Simões Pereira.

Dias depois Sissoco Embaló demite o governo liderado por Aristides Gomes, nomeando Nuno Gomes Nabiam como novo chefe de executivo guineense. Fato que motivou o então primeiro-ministro Aristides Gomes a refugiar para a sede do Programa das Nações Unidas para a Consolidação da Paz (UNIOGBIS), cuja missão terminou neste Dezembro.

Já o seu adversário igualmente líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, viaja para Portugal alegando falta de segurança e no Dezembro em curso, anuncia o seu regresso para uma data a indicar, dias depois ou seja 18 do mesmo mês, o Procurador-geral da República Fernando Gomes, através de uma nota a imprensa anuncia que emitiu um mandado de captura internacional alegando que há um processo-crime que segue os trâmites legais nesta instituição judiciária detentora da ação penal.  

Mandado este que no dia 22 do mesmo mês, os advogados do PAIGC afirmam não existir nenhum crime contra o seu constituinte, exigindo o Ministerio Publico a trazer ao público provas ou documentos que justifique a sua acusação contra Domingos Simões Pereira   

Volvidos dez meses de presidência que de por alguns é positivo tendo em conta a relançamento da política externa do país, sobretudo na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental CEDEAO, cuja repercussão reverte na requalificação e melhoramento de algumas artérias de capital Bissau, cerimónias de homenagem, e condecoração e reconhecimento de alguns figuras públicas, chefias militares embaixadores acreditados no país.

No dia 23 de Dezembro em curso, sob a proposta do governo, o chefe Estado Maior General das Forças Armadas Biagué Nam N’tam foi agraciado com a medalha Amílcar Cabral, a mais alta condecoração do país, justificando que Biagué conseguiu manter e garantir a classe castrense equidistante das querelas políticas. Fato que segundo Embaló, agrada a comunidade internacional que intenciona levantar sanções impostas a alguns militares e consequente participação na missão de manutenção de paz.     

Alguns o consideram de negativo, justificando o que ao longo dos doze meses o chefe de Estado tem adotado de discursos e declarações que muitas vezes tem doze de ameaças e intimidações contra alguns órgãos de soberania e que violam a lei magna do país. Dando exemplo a espancamentos, raptos e demais violações de direitos humanos, que até a data não se apurou os verdadeiros responsáveis.   

Já ontem, no encontro com os jornalistas para proceder o balanço do ano 2020, o chefe de Estado apesar de reconhecer que a pandemia do novo coronavirus tem impactado negativamente em quase todos os setores da vida guineense, afirmou que o ano 2021 marca o inicio de uma década, a década de 2021-2030 que segundo ele vai desafiante. Contudo promete fazer da Guiné-Bissau um país diferente, com desenvolvimento económico e de justiça social. 300 kilometros de estradas alcatroadas, construção de novo aeroporto internacional em Nhaca, norte de Guiné-Bissau, construção de Edifico de três andares de Ministerio dos Negócios Estrangeiros, por parte do reino de Marrocos, construção de edifícios de Ministérios de Defesa e do Interior financiados pelo governo Chinês, ambos sob a influencia direta do chefe de estado são algumas das perspetivas para o ano 2021.

ALEM FRONTEIRAS

Convulsões geopolíticas em 2020

A geopolítica global foi virada do avesso em 2020 pela pandemia de Covid-19. Esta seria a maior memória a recordar nos livros de texto da história futura. No entanto, para além deste grande choque, 2020 desenha os contornos de uma ordem mundial singular.

O ano 2020 foi obviamente marcado pela descoberta na China dos primeiros surtos de um vírus específico conhecido como “coronavírus”, cuja doença foi denominada “Covid-19”. A propagação deste vírus causou a deterioração da situação económica global e reforçou as tendências estratégicas já existentes. Salienta também a rivalidade entre a China e os Estados Unidos, que está a surgir como o elemento estratégico central nas relações internacionais para os anos vindouros. A vitória de Joe Biden sobre Donald Trump não deve alterar esta tendência.

A Europa poderia traçar uma terceira via, e deu alguns sinais com o plano de recuperação. E Brexit poderia finalmente ser uma oportunidade para a UE.

Pela sua parte, a África não foi poupada pela pandemia. Relativamente intocado pela crise sanitária, o continente foi atingido pela crise económica com o seu rasto de danos colaterais, particularmente na esfera social. Países como a Etiópia, a Costa do Marfim e a Guiné também se destacaram, com uma democracia que vacila com uma preponderância de regimes autoritários baseados na repressão de todas as vozes discordantes.

A administração Trump foi subitamente retirada da lista negra de países que apoiam o terrorismo.

No Médio Oriente, o Primeiro Ministro israelita Netanyahu sofreu vários golpes diplomáticos incluindo o Acordo de Abrahams e recentemente a normalização das relações diplomáticas com o Reino de Cherifian. O caos permanece total na Síria, mas também na Líbia, onde os franceses, turcos, russos e egípcios mantêm uma forma de guerra fria que não diz o seu nome através da experimentação do campo de uma guerra por procuração.

No entanto, é apropriado apontar as tensões no Médio Oriente através do perigoso aumento do poder da Turquia. E a geopolítica de 2020 terá sido marcada pelo nascimento de novos focos de conflito que irão ter um impacto irremediável na ordem mundial de amanhã.

A presença russa na República Centro-Africana (RCA) continuará também a ser um facto que alimentará as tensões entre as várias potências que exigem transparência por parte da Rússia. É o caso dos Estados Unidos e da França, que está a jogar o jogo do gato e do rato no seu próprio quintal, que está sob grave ameaça da presença russa.

Por detrás dos desafios económicos e geoestratégicos, estas tensões estão a criar um clima de incerteza que será prejudicial para as relações políticas, económicas e comerciais internacionais nos próximos anos. O resultado da crise diplomática no Golfo permanece mais vago do que nunca em 2020.

Após três anos de provocação e demonstração de força entre o Qatar e a coligação dos Emirados Árabes Unidos, Bahrain, Arábia Saudita e Egipto lutando a favor e contra o apoio do Exército Islâmico Iraniano, a situação continua a ser o status quo.

A gestão dos fluxos migratórios sírios para a Turquia, todos estes acontecimentos fizeram de 2020 um ano crucial para a geopolítica internacional, apesar da imposição forçada de uma trégua geral na sequência da pandemia de Covid-19.

Finalmente, na América Latina, um continente particularmente atingido pela crise económica e sanitária, os vários sucessos dos partidos de esquerda no México, Argentina, e Bolívia, matizaram a onda de direita de alguns anos atrás. Isto reforça a posição do venezuelano Maduro, com o qual a próxima administração americana não descartaria uma aproximação. O continente está politicamente fragmentado.

A ordem mundial tem vindo a mudar constantemente, varrendo civilizações e impérios, escrevendo gradualmente a história. Para a compreender, é necessária uma análise de facto dos mecanismos históricos que a geraram desde a queda do Muro de Berlim em 1989, e tem havido muitas mudanças. Machivail costumava dizer “Governar é fazer as pessoas acreditarem”. Muitas nações já não acreditam na eficácia do modelo de governação global.

Como as Nações Unidas celebram o seu 75º aniversário este ano, o recorde é misto. A Assembleia Geral está a lutar para encontrar compromissos significativos enquanto os Cinco Grandes membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU estão paralisados pelo sistema de veto. Neste sentido, desde os anos 2000, o veto foi utilizado 15 vezes para a Rússia, 12 vezes para os Estados Unidos e 7 vezes para a China. Com uma tendência fortemente crescente desde 2011 para a Rússia e a China utilizarem sistematicamente o veto.

Evidentemente, encontramos as potências estabelecidas, como os Estados Unidos, que continua a ser um actor importante na ordem mundial de 2020 definida pelos vencedores da Guerra de Ialta.

Claro que encontramos as potências estabelecidas, como os Estados Unidos, que continua a ser um actor importante nesta ordem mundial de 2020 definida pelos vencedores da Guerra em Yalta, Poltsdam e São Francisco. Só em termos militares, os Estados Unidos têm um orçamento de 750 mil milhões de dólares para a defesa. A China atinge picos de apenas 178 mil milhões de dólares, cerca de quatro vezes menos.

Do outro lado do Pacífico, a Rússia, o maior país do mundo por área, mantém uma preeminência estratégica devido à sua interferência estrangeira (Síria, Líbia, Ucrânia…) e o seu lugar no Conselho de Segurança. Em 2018, o exercício “Vostok” foi uma verdadeira demonstração de força, reunindo 300.000 soldados, incluindo delegações chinesas, turcas e mongóis. O hard power russo ainda é relevante

REDAÇÃO

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