Opinião: E SE TRANSFORMARMOS A CRISE EM OPORTUNIDADE ?

Por: Dr. Nelvina Barreto

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Queria poder falar de novas tecnologias, de empreendedorismo, da criação de condições para o auto-emprego, de financiamentos de start-ups juvenis, do potencial da economia digital, enfim, de inovação e de modernidade, tão caras à jovem geração.

Gostaria que discutissemos temas ligados ao desenvolvimento das infraestuturas do País, da qualidade do ensino superior ou das possibilidades infinitas do nosso sector agrícola, enquanto alavanca de criação de riqueza à escala nacional.

Mas a nossa realidade é outra.

Estamos na Guiné-Bissau, onde vivemos numa encruzilhada de caminhos, com medo de em algum momento, atravessarmos a linha fina que nos separa do caos.

Infelizmente, este ambiente de paz podre, que já dura há décadas, resulta de um processo de permanentes perturbações, conflitos e incertezas, e faz de nós um povo que, embora tenha consciência da gravidade dos seus problemas, sente dificuldade em estabelecer-lhe os contornos, em indicar os responsáveis e em definir o rumo a tomar.

Habituamo-nos a viver na mais absoluta precariedade; sem luz, sem água, sem escola, sem saúde, sem emprego, e tendo como única certeza (para além da morte), de que a cada 4 ou 5 anos, somos convocados às urnas para renovar a legitimidade dos causadores da nossa desgraça colectiva.

Esses, são os únicos que enriquecem e prosperam, distanciando-se completamente da realidade da população, como se pertencessem a mundos paralelos que nunca se tocam.

Por desinteresse, incompetência e falta de humildade, o establishment político, não tem sido capaz de reinventar-se para dar respostas a uma sociedade jovem e insatisfeita, que sob uma aparente passividade, está à procura de outros caminhos.

Os principais actores políticos teimam em persistir em fórmulas perigosas, baseadas em divisões étnicas, sociais e religiosas, sem se preocupar com o impacto dessas acções na já frágil coesão nacional.

Tenho o justo receio dos extremismos que podem nascer da situação actual, um terreno fértil para o populismo, para radicalismos de toda a espécie, fruto da percepção de que nada há a perder.

A desconexão entre governantes e governados, pode custar um preço alto a cada um dos guineenses.

Não podemos deixar que isso aconteça!

O desafio que devemos responder em conjunto, é de apaziguar os ânimos, de construir consensos e de protagonizar soluções estruturantes e abrangentes, que contemplem todos os filhos da nossa terra.

Exige-se daqueles que estão realmente comprometidos em construir uma agenda de futuro para a Guiné-Bissau, que tenham a sabedoria, a paciência, a capacidade e a ousadia de se juntar e de transformar a crise em oportunidade!

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