Migração clandestina: duplo destino dos nossos jovens

Os nossos jovens compatriotas que partem em busca de outro lugar não são insanos nem irresponsáveis, são vítimas de uma combinação de factores que contribuem para os mergulhar por toda a eternidade no Ventre do Atlântico. É perturbador notar uma leitura simplista e binária de um fenómeno complexo entre funcionários públicos cuja missão é produzir esperança. Traem uma incultura infeliz. Pedindo emprestado o termo a Marcel Mauss, o sociólogo argelino Abdelmalek Sayad mostrou claramente que a migração é um “facto social total”, tendo várias dimensões para além da económica.

As maiores tragédias da emigração clandestina em África são a consequência de grandes catástrofes políticas. A ditadura que sucedeu à bela epopeia da Primavera árabe colocou milhares de jovens egípcios nas estradas do exílio. A guerra na Líbia aumentou as fileiras de candidatos ao embarque em navios improvisados para atacar as costas da Europa. O autoritarismo feroz na Eritreia levou os cidadãos daquele país a escolherem uma possível morte no Mediterrâneo ou no deserto líbio crisesciclicas na Guiné e por meio a Guerra de 1998 são um dos fatores por parte dos candidatos guineense em vez de…uma morte lenta no seu próprio país, preferem barriga da baleia.

Guiné-Bissau não é uma ditadura, nós somos uma democracia funcional no papel. O país não sofre de uma fome com milhares de mortes em resultado disso. Somos um país turbulento e ao mesmo tempo pacífico, sem guerra no nosso solo desde 1998. Nenhum dos principais atributos desta emigração maciça e mortalmente irregular está presente no nosso caso. Apesar de tudo, a corrida dos jovens para Barça (barcelona) ou “BARDADI” (terra de bardadi) continua. Porque se vão embora? Porque é que preferem a morte certa à vida em casa? A democracia é a competição das respostas às perguntas dos cidadãos.

ultimamente temos reportado desastres e mortes no mediteraneo,sao jovens mulheres e por vezes crianças que doam suas vidas, para chegarem a europa.

Na nossa configuração demográfica, estes cidadãos constituem a maioria do corpo social. Isto torna mais urgente que os decisores públicos lhes dêem respostas relevantes e sustentáveis.

A política está a morrer se não impulsionar a imaginação daqueles sobre os quais é exercida ou armar mentalmente os seus sonhos para uma vida melhor. Guiné-Bissau é um país maravilhoso, e para e para maravilha que é, vai alem dos planos feitos e executados no excell é preciso por na pratica todo esse plano.

A juventude é a idade da vida e o lugar onde os sonhos e a imaginação são produzidos para criar um horizonte desejável. É nesta idade que uma nação democrática semeia as sementes da esperança. É esta esperança que se extinguiu no coração de todos aqueles jovens que decidem confiar o seu destino a um contrabandista em vez de a uma nação que é suposto garantir-lhes um futuro decente.

Os jovens que partem, vencidos pelo desespero e pela impotência, perseguem o sonho de um melhor noutro lugar. Partem para o exercício da liberdade até à tragédia: a de continuarem a ter uma escolha sobre o seu destino. Os sons das suas vozes para além do túmulo chamam-nos. Eles assombrarão as nossas noites se não os trouxermos à ressonância pelo que Aragão chamou uma “onda de sonhos”.

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