Mali: Data das eleições ainda não fixada devido à falta de acordo entre CEDEAO e junta militar

O mediador da África Ocidental para o Mali deixou Bamako após uma visita de dois dias sem obter da junta uma data de eleições para o regresso dos civis ao poder. A junta declarou-se, contudo, “a favor de uma transição que dure bem menos de quatro anos”. avançou a AFP citando fonte proximas a mediadores

Quando se realizarão as próximas eleições democráticas no Mali? É impossível dizer neste momento. O ex-presidente nigeriano Goodluck Jonathan, o mediador da África Ocidental para o Mali, deixou Bamako sem concordar com uma data para as eleições.

A última proposta feita pela junta à CEDEAO, na última cimeira da organização sobre a questão em Acra, no início de Fevereiro, foi para uma transição de quatro anos.

Sanções contra a junta no poder
A organização regional tinha sancionado fortemente em Janeiro a junta do Coronel Assimi Goïta, levada à cabeça do Mali por um primeiro golpe de Estado em Agosto de 2020 e entronizado o presidente “da transição” após um segundo putsch em Maio de 2021.

As sanções – incluindo o encerramento das fronteiras com os países da CEDEAO e um embargo às transacções comerciais e financeiras – punem o plano dos militares de continuar a governar durante vários anos e o seu compromisso não cumprido de organizar eleições em Fevereiro de 2022 que teriam levado os civis de volta ao poder.

CEDEAO exige eleições dentro de “12 a 18 meses

Um comité técnico da CEDEAO tinha proposto a organização de sondagens no prazo de 12 ou 16 meses, com a ajuda de uma Autoridade de Gestão Eleitoral Independente (Aige), de acordo com um documento que a AFP tinha visto. O mediador da África Ocidental tinha apelado a uma transição democrática “o mais rapidamente possível”, no dia seguinte à aprovação de um plano que permitisse à junta militar permanecer no poder durante cinco anos.

“Estamos no final da missão em Bamako. Se é para dizer que acordámos uma data para o fim da transição, digo imediatamente não”, disse um membro da delegação do Goodluck Jonathan, que chegou sexta-feira em Bamako, à AFP no domingo. “Sei que de facto não houve acordo sobre uma data para as eleições no final destas discussões”, disse à AFP a fonte maliana próxima das negociações. No entanto, a delegação reafirmou a sua vontade de prosseguir as conversações.

O governo do Mali diz ter apresentado um calendário para “eleições com um prazo de 36 meses (três anos) para a transição”. Mas “esta proposta não foi aceite pelo mediador da África Ocidental”, de acordo com uma declaração emitida após a partida do Goodluck Jonathan.

O governo disse ter proposto “um novo prazo de 29 meses”, que o Coronel Assimi Goïta, “num último esforço para alcançar um compromisso realista (…) reduzido a 24 meses”.

Dois golpes de Estado num ano
O órgão legislativo do Mali, que tem sido controlado pelos militares desde o golpe de Estado de Agosto de 2020, tinha aprovado a 21 de Fevereiro um período de transição de até cinco anos antes da realização de eleições.

com/AFP

Autor: CAP-GB

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