Insolito: 1º bispo gay divorcia-se pela 2ª vez “O amor resiste, mas o casamento não”

O arcebispo Gene Robinson, da Diocese Episcopal de New Hampshire na Igreja Episcopal dos Estados Unidos da América, primeiro divorciou-se da esposa Isabella Martin, em 1986, ao fim de catorze anos de casamento que gerou dois filhos. O segundo casamento, com Mark Andrew, durou seis anos (2008-14), mas as consequências são históricas: levou à cisão na igreja episcopal e fez surgir a igreja anglicana dos Estados Unidos.

Robinson é mais conhecido por ter sido o primeiro clérigo da igreja episcopal (derivada da igreja anglicana) a “sair do armário” — declarou-se abertamente homossexual em 2003, pressionado… — e a ser ordenado para o episcopado histórico.

O bispo anunciou o fim do segundo casamento, numa carta dirigida à Diocese de New Hampshire, sem revelar detalhes sobre o fim do relacionamento de 25 anos. No domingo seguinte, numa carta-aberta ao The Daily Beast expressou a sua “gratidão” ao Andrew por ter “estado ao [s]eu lado nos desafios da última década”.

Robinson, de 67 anos, referia-se tanto à sua dependência do álcool quanto à sua origem: as ameaças de morte que recebeu após “sair do armário” e anunciar o casamento homossexual, que nunca foi aceite pela maioria dos mais de 70 milhões de membros da congregação dos Estados Unidos.

A rejeição era tal que em 2008 o arcebispo da Cantuária, Rowan Williams, se viu obrigado a barrá-lo da conferência decenial que reúne os bispos episcopais de todo o mundo.

Mas em 2009 Obama convida-o para a cerimónia inaugural da sua entrada na Casa Branca, em que religiosos de diversas confissões abençoaram a nova presidência.

“O amor resiste, mas o casamento não”

Casou-se aos 25 anos com Isabella, que conheceu na universidade de Vermont onde ele fazia o seu estágio como capelão. Durante os dois anos de namoro, Gene expressou a Isabella o medo que tinha “àquela coisa feia” que era a sua sexualidade.

Segundo narra, “um mês antes do casamento, t[e]ve medo de que aquela coisa feia irrompesse um dia para causar aos dois um grande sofrimento”. Isabella decidiu arriscar. Ela continuou a apoiá-lo ao longo de momentos difíceis, como em 2003 quando se dirigiu à conferência episcopal que iria eleger o ex-marido, em carta lida pela filha de 26 anos.

Por ocasião do segundo divórcio, Gene escreve: “A minha fé no casamento em nada é diminuída pela realidade que é divorciar-me de uma pessoa que amei durante tanto tempo e que continuarei a amar mesmo separados. O amor resiste, mas o casamento não”, rematou o ex-bispo.

Fontes: Reuters /Associated Press. Foto(Getty): Rev. Gene Robinson (ao centro) presente numa celebração da Páscoa, na Casa Branca em 2014.

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