Guiné-Conacri: Departamento de Estado dos EUA golpeia regime de Conde

No seu relatório anual de 2020, o Departamento de Estado norte-americano elaborou uma avaliação condenatória do contexto que prevaleceu antes e depois das eleições presidenciais de Outubro em que Alpha Conde, concorrendo para um terceiro mandato considerado inconstitucional pelos seus opositores, foi declarado vencedor por 59,5%.

O Gabinete da Democracia, Direitos Humanos e Trabalho do Departamento de Estado citou prisões e detenções “extrajudiciais maciças”, “restrições graves à liberdade de expressão”, “violência” e “ameaças” contra representantes da oposição, um “grave problema de independência judicial”, e casos de “tortura” perpetrados pelo governo ou em seu nome pelas forças da lei e da ordem ao longo de todo o processo eleitoral.

Este contexto é agravado pela impunidade de que gozam as figuras oficiais. Com base em testemunhos, o trabalho dos partidos da oposição e organizações de direitos humanos como a Amnistia Internacional, Washington refere-se ao caso de trinta e seis pessoas mortas, inclusive em Conakry e N’Zérékoré, pelas forças da ordem no contexto das manifestações contra as eleições legislativas de Março de 2020 e contra a reforma constitucional. Até à data não foi realizada qualquer investigação.

“Os abusos e torturas nos centros de detenção continuam”, afirma o relatório, observando que as forças policiais recorrem sistematicamente a estas práticas para extrair confissões. A superlotação das prisões, especialmente no contexto do Covid 19, também continua a ser altamente problemática.

325 pessoas foram arbitrariamente detidas no contexto da violência pós-eleitoral, incluindo cinco líderes da União das Forças Democráticas da Guiné (UFDG) liderada por Celou Dalein Diallo. Este período foi acompanhado por violações recorrentes da liberdade de imprensa e de expressão, disse o Departamento de Estado.

O conteúdo deste relatório foi posto de lado pelas autoridades guineenses. Reagindo após a publicação, a ministra guineense da Informação e Comunicação, Amara Somparé, referiu-se a “inexactidões” e aproximações factuais. “Penso que este relatório merece ser revisto em profundidade e iremos partilhá-lo com os nossos parceiros americanos.

Comentarios
estámos no facebook

cap gb o amanha começa aqui

0 0 votes
Article Rating
Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Subscreva email noticias cap-gb

capgb info email seja assinante:

0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x